mariana dias coutinho

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(...) Mariana Dias Coutinho, num recanto do paredão perto de uma piscina natural, construiu um suporte ondulado que pode e deve ser usado pelo público. Teatro-praia, o nome da sua peça, possui o subtítulo de "plataforma para performatividades públicas”, acentuando a exposição (no duplo sentido da palavra: apresentação de obras de arte e acto de dar a ver qualquer coisa) dos corpos no areal, dispostos em coreografias e cenários previsíveis. Esta é uma nova faceta de uma obra que se tem declinado formalmente em objectos de muito diversa índole mas que focam todos, conceptualmente, a transformação da forma de raiz clássica. (...)

 

Luisa Soares de Oliveira in fundacaodomluis.pt

 

“teatro-praia” (plataforma para performatividades públicas)

Mês de Maio, o Sol raia quente e luminoso, reflectido na água e pedras claras do paredão.

“teatro-praia” visa ser um lugar público onde proposições abertas devem ocorrer, uma estratégia de criação artística surgida com base na estética relacional. Atua como promotor de ações, um activador de experiências, que se completa na ação do outro. Trata-se de uma escultura que não pretende representar o mundo ou o tempo cronológico, mas sim preencher o espaço de subjetividade individual, invocando a auto-performance livre e o tempo (duração) próprio de cada indivíduo. Um lugar onde o próprio indivíduo é artista de si mesmo (auto-teatro) e que propõe um momento de lazer, em que a própria configuração dos mecanismos de provocação se dá de modo colaborativo, provocando modos de sociabilidade entre os espectadores.

“teatro-praia” fornece uma narrativa, uma estrutura a partir da qual se forma uma realidade plástica: um espaço destinado ao usufruto mas que contribui para um pensamento mais aprofundado sobre o quotidiano, suas práticas e comportamentos organizados, refletindo igualmente nos aspectos artificiais do dia-a-dia.
A qualidade cénica e poética de uma ocupação que evoca a experiência descontraída da vivência (ócio pelo ócio), para uma ativação da comunidade, de situações de partilha do que se propõe público.

Ao longo da história, fomos levados a crer que a arte deveria materializar-se em objetos, e que nós enquanto fruidores, deveríamos contemplá-los, admirá-los. A frase “proibido tocar nas obras de arte”, comum em espaços expositivos, separa- nos corporalmente das obras, e reafirma uma arte hierarquizada. “teatro-praia” pretende subverter essa hierarquia, promovendo encontros horizontalizados entre a arte, o homem e o espaço público. Aqui, a obra torna-se um espaço, uma acção, uma experiência.

A escolha do local para instalação - a Piscina Alberto Romano - e a característica formal de “teatro-praia”, propõem destacar o diálogo com o material vivenciado, evidenciando a polifonia, experimentações plásticas relacionais, em que o corpo sensível do participante na obra é que dita a forma e a razão da sua existência. 

 

Mariana Dias Coutinho Lisboa, Abril 2017

   
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