mariana dias coutinho

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A instalação “Ataque ao Sol”, dividida em dois momentos “a Custódia” e “o Paramento”, acentua um tom de confrontação e estabelece uma relação entre as percepções do erotismo sensual e o pensamento religioso, encontrando paralelismos com autores como Sade, Bataille e formalmente com Malevich e a ópera futurística “Victory over the Sun”.

A leitura da obra, traduz as inquietações mantidas em relação às questões lançadas por Sade e que nos continuam a assombrar: qual o lugar que o corpo ocupa no nosso "modo de pensar” e como pensar a violência dentro de nós, quando os valores tradicionais são incapazes? Isto é o que nós procuramos tentar esquecer e, especialmente, mostra que a liberdade pode ser inventada e manipulada para medir a enorme desordem face ao suposto resultado. 
Retornando às questões levantadas no sec.XIX, onde a procura do sublime através do simbolismo, paga o preço de uma “desencarnação atormentada”, leva-nos à consciência física do infinito. Esta consciência de um desejo infinito que assola cada ser e que ao nos concentrarmos nesse desejo como causador de problemas, se tornará num grande inventor de formas.

Esta fórmula evoca de novo a estranha influência de Sade, a forma como ele trabalhou as profundezas do século XIX e continua a trabalhar a nossa sensibilidade. Confrontamos-nos com um pensamento cru e nu, que não admite pressupostos religiosos, ideológicos, morais, dos quais nos fazemos prisioneiros voluntários em todas as formas de servidão e aceitação.

 

Mariana Dias Coutinho, Julho 2016

 

 

 

 

 

   
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